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“Foi a melhor experiência da minha vida”, conta aluna de direito do campus Lins sobre intercâmbio realizado na Espanha

por Angela Rodrigues publicado 01/09/2020 05h00, última modificação 04/09/2020 14h12

Natural da cidade de Caculé, interior da Bahia, a estudante Lorena Silva Teixeira (imagem ao lado), 21, cursa o 10º semestre de direito no campus Lins da Unimep. No 1º semestre desse ano, mesmo com a quarentena, ela pode realizar a experiência de intercâmbio e aproveitar ao máximo a oportunidade de aprender novo idioma, sair da zona de conforto e viver novas experiências.

No período de janeiro a julho, ela morou e estudou na cidade de Sevilla, capital da região da Andaluzia, sul da Espanha, onde frequentou aulas de criminologia e espanhol. As aulas ocorreram entre os meses de fevereiro e junho, na Universidad de Sevilla.

Foi a primeira vez que a unimepiana participou de uma experiência internacional. A iniciativa ocorreu por meio do programa de intercâmbio Santander Ibero-Americanas, iniciativa que tem a Unimep dentre as instituições parceiras.

No período em que morou fora do país, Lorena viveu em um apartamento juntamente com estudantes espanhóis e de outros países.

Em entrevista ao Acontece Unimep, ela detalhou sobre a experiência internacional, os aprendizados e as conquistas alcançadas nesse período. Confira:


Acontece Unimep – Por que escolheu a Espanha? 
Lorena Teixeira – Queria ter a oportunidade de conhecer a Europa, e as minhas duas opções eram Portugal e Espanha. Optei pela Espanha pela oportunidade de aprender um novo idioma, de sair da minha zona de conforto e ter uma experiência totalmente diferente.


Acontece Unimep – Como foi a sua rotina no período em que esteve fora do país? 
Lorena – Foi totalmente diferente do que eu estava acostumada, morei com espanhóis, um tcheco e posteriormente com uma letona, o que fazia a convivência na casa ser muito distinta, em idiomas e costumes.

De início, comecei minhas aulas presenciais de criminologia e espanhol, que a princípio me deixavam extremamente tensa e um pouco deslocada. Com o passar dos dias fui me acostumando, e então começou a quarentena. Foi um momento bem difícil, passamos dois meses em casa, saindo apenas para ir ao mercado a cada duas semanas (em média), mas, apesar de ser um momento difícil foi exatamente durante a quarentena, passando 24 horas do meu dia com espanhóis, que finalmente consegui me aprofundar e aprender o idioma, conhecer os costumes e formar um grande laço afetivo.

Não há como especificar uma rotina exata, a princípio tinha aulas presenciais integralmente, então, me deslocava entre campus e salas todo o dia, tendo aulas pela manhã, outras pela tarde e algumas à noite. Com a quarentena, comecei a ter classes online dividas pela semana, com muitos trabalhos em grupo. A respeito da cidade, antes e após a quarentena, passei muito tempo caminhando e conhecendo os encantos de Sevilla, que é uma cidade incrivelmente linda.  


Acontece – Quais foram as principais atividades acadêmicas realizadas com o intercâmbio?
Lorena – As aulas ministradas na Universidad de Sevilla eram expositivas, tendo sempre mais de um professor por matéria, então, tive entre 2 e 4 professores em uma mesma disciplina. Havia grande quantidade de trabalhos, os quais alguns (como práticas) tiveram que ser adaptados posteriormente para serem realizados de forma online. Fiz matérias muito distintas, em algumas assistíamos muitos documentários, em outro fazíamos análise de casos práticos (clínicos), assim como a realização de seminários.


Acontece – Quais foram os principais aprendizados desse período, principalmente em sua área de formação? 
Lorena: Direito é um curso muito específico de cada país, como não teria aproveitamento/abatimento das matérias no Brasil, optei por eleger matérias de criminologia, por ser uma área diferente e de grande interesse próprio. Aprendi muito a respeito do sistema carcerário espanhol e de outros países europeus, assim como adquiri grande carga de conhecimento na disciplina de psicopatologia, psiquiatria e conduta criminal, onde estudávamos distúrbios psicológicos e seu reflexo no crime. Aprendi muito e notei a diferença dos métodos de ensino aplicados na Espanha.


Acontece – Como essa experiência internacional contribuiu para a sua formação?  
Lorena – Tive a certeza de que optei por uma área que realmente amo, inclusive, adquiri muitos conhecimentos úteis a respeito do tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso (direito penitenciário), tendo a oportunidade de comparar os dois sistemas. Além de aprender muito a respeito da criminologia e aprender novo idioma, acredito que a maior carga de aprendizado que trouxe comigo foi a respeito da história daquele povo, e da minha capacidade de adaptação e superação.


Acontece – Observou muitas diferenças entre os dois países? Quais?
Lorena – Não fiz nenhuma disciplina de Direito, mas o fato de haver uma graduação específica de Criminologia já me deixou bastante surpresa. Observei que temos mais em comum do que eu imaginava, os espanhóis são um povo alegre, as noites de Sevilla sempre tinham muita vida! No entanto, na faculdade, os alunos não davam tanta abertura e receptividade para nós, intercambistas, como fazemos aqui no Brasil. A respeito da diferença cultural, o que mais tardei a acostumar foi a questão das refeições, que são muito diferentes e geralmente muito tarde.


Acontece – O que mais chamou a sua atenção no país e por quê?
Lorena – Um costume que eu adorava era de sempre tirar uma “siesta” após o almoço (soneca), era de lei na casa em que morava. Por conta da quarentena, não tive a sorte de frequentar a Feira de Abril, evento lindo e muito típico dali, onde todos vão trajados elegantemente, dançam flamenco e festejavam toda a semana; assim como os festejos da semana santa, mas ao caminhar pelos parques e praças, era possível encontrar mulheres trajadas bailando Sevillano, e isso me encantava.

 

Acontece – Pode contar um episódio ou uma experiência que marcou a sua vivência internacional?
Lorena – Eu acho que o episódio que mais exemplifica o que e como é a realização de um intercâmbio foi a primeira “social” na minha nova casa. Planejaram uma despedida para um dos estudantes que viviam no apartamento e estava retornando ao seu país, e logo de cara, no meu 2º dia na Espanha (falando pouquíssimo espanhol e pouquíssimo inglês), me sentei na sala do apartamento com pessoas que nunca havia visto, falando várias línguas e me senti, a princípio, extremamente deslocada e ao mesmo tempo feliz de poder sentir aquele choque de realidade.

Ao longo daqueles primeiros dias, conheci pessoas da República Tcheca, Alemanha, Ucrânia, Itália, Holanda, Chile, Letônia e outros países, fui bem recebida e me esforcei para me entrosar, e ali, ainda no começo, “perdida” em meio a tantos idiomas e culturas diferentes, eu senti meu coração quentinho e realizado, pois eu consegui alcançar a meta de sair da minha zona de conforto e me permitir “abraçar o mundo”, e para mim, essa é a maior definição do que é um intercâmbio.

Acontece – Pode conhecer os pontos turísticos da região onde ficou? Qual chamou mais a sua atenção? 
Lorena – Meu lugar favorito em Sevilla é a Plaza de España, que fica dentro do parque de Maria Luisa, é realmente mágico. Mas a cidade é toda rodeada de lugares incríveis e que eu recomendo muito a visitação, como a Catedral (com a famosa torre de Giralda), as Setas (onde se pode ver a cidade de cima, com uma visão privilegiada do pôr do sol), o Real Alcazar, o bairro de Triana (típico e encantador), a Torre del Oro (com uma vista linda pro rio Guadalquivir), entre muitos outros pontos mágicos.


Acontece – A pandemia e o isolamento social impactaram o seu intercâmbio?
Lorena – Sem dúvidas. Além de ficar em casa por dois longos meses e, posteriormente, tendo que realizar as fases da desescalada lentamente, perdendo momentos preciosos daquela cidade incrível e a oportunidade de viajar para outro país (que já estava planejado), houve também grande impacto psicológico... Causei muita preocupação em minha família, o que me deixava muito desconfortável, mas, em momento algum, me arrependi da minha escolha e de tudo que vivi ali. Foi, sem sombra de dúvidas, a melhor experiência da minha vida até hoje.

 

Acontece – Quais foram os principais cuidados ou ações de segurança que teve de adotar? 
Lorena – Adotei as medidas de segurança exigidas e recomendadas, mantive o isolamento, e posteriormente segui com o maior distanciamento social possível durante as fases de desescalada, mas nada diferente do que era exigido a todos. Tive a oportunidade de retornar ao Brasil em um voo de repatriação em maio, porém, optei por ficar e viver intensamente cada instante que me restava ali.


Acontece – Quais são os seus planos para o futuro? 
Lorena – Essa é uma pergunta que me faz questionar muito (risos), e ainda é bastante difícil dar uma resposta concreta, tenho muitos sonhos e nenhuma certeza. No momento, penso em tentar retornar para a Espanha por um tempo após me formar, para realizar o mestrado, ou tentar realizá-lo aqui e ir, posteriormente, passar algum tempo lá, já que a minha meta, na verdade, é concurso público, o que me deixaria comprometida e mais enraizada aqui no Brasil.

 

 

 

Entrevista: Assessoria de Comunicação Unimep
Fotos: acervo pessoal Lorena Silva Teixeira
Ultima atualização: 31/08/2020