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Aluno de letras-língua portuguesa analisa memes e gêneros textuais em congressos

por Angela Rodrigues publicado 24/07/2016 08h00, última modificação 27/07/2016 12h37

São Paulo e Assis foram as duas cidades que estiveram no roteiro do universitário Mateus Henrique do Amaral, aluno do 7º semestre do curso de letras-português da Unimep no primeiro semestre. Ele teve três trabalhos aprovados para apresentação em congressos distintos, dois deles promovidos nos meses de abril e junho, nas cidades mencionadas, enquanto o terceiro será realizado nos próximos dias 27 a 30 de julho. Nessas datas, o universitário estará no 6º Colóquio e 1º Instituto da Associação Latino-Americana de Estudos do Discurso, que ocorre na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Nesse evento, do qual participa pela primeira vez, o estudante irá expor o trabalho Já Acabou, Jéssica! A Heterogeneidade Enunciativa Mostrada em Textos Verbo-Visuais Publicadas no Facebook. No projeto, Amaral analisa dois memes e um anúncio publicados no Facebook e que utilizam o enunciado “Já acabou, Jéssica?” em sua composição. O universitário conta que o trabalho é semelhante ao apresentado em São Paulo, que teve como principal objetivo analisar as práticas discursivas na produção dos chamados memes, normalmente textos verbo-visuais produzidos para as redes sociais. “Vai ser interessante evidenciar que enquanto os memes utilizam o enunciado “Já acabou, Jéssica?” para satirizar algumas situações, o anúncio o utiliza para repreender a agressão física, isto é, tem cunho educativo. Percebemos que é o mesmo enunciado, utilizado em contextos diferentes, que assume sentidos distintos”, detalha. O colóquio irá reunir profissionais e pesquisadores de língua materna e estrangeira, além de outros interessados pelos estudos do discurso.

Mais congressos e resultados

Além do evento na UFScar, Amaral também esteve no 16º Congresso Brasileiro de Língua Portuguesa e 7º Congresso Internacional de Lusofonia, realizado nos dias 28 a 30 de abril na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Nele, o estudante apresentou o trabalho Heterogeneidade Enunciativa Mostrada em Memes Produzidos na Web. “Hoje, verificamos um número extenso de pessoas que se relacionam e interagem pelas redes sociais digitais e cotidianamente compartilham e leem esses enunciados. Acredito na realidade que o trabalho segue a tendência e necessidade atual da linguística que é estudar e compreender esses gêneros textuais emergentes do desenvolvimento das tecnologias de informação. É válido destacar que os estudos sobre os memes como gêneros textuais são recentes, a maioria deles foram produzidos entre o ano passado e esse”, aponta.

Já em junho, a participação de Mateus Amaral em congressos ocorreu com um trabalho com tema distinto. Na Unesp, em Assis, ele expôs “O Sentimento do Personagem como Produto do Sentido e Significado das Experiências Vivenciadas em A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe” na 64ª edição do Seminário do Grupo de Estudos Linguísticos de São Paulo (GEL). Trata-se de uma associação de estudos da linguagem que promove seminários anuais, para compartilhar informação científica e promover o progresso da pesquisa linguística.

Nesse seminário, do qual participou pelo segundo ano consecutivo, ele destaca que o trabalho foi, pessoalmente, bastante representativo pelo fato de admirar o escritor português Valter Hugo Mãe. “Inclusive, o meu trabalho de conclusão de curso é sobre uma das obras do autor, intitulada A Desumanização. Conheci o autor a partir da profª Josiane Souza, que em uma das disciplinas do curso solicitou que fizéssemos a análise literária do livro A Máquina de Fazer Espanhóis. No trabalho apresentado em Assis, refleti sobre como os sentimentos do personagem principal – um idoso de 84 anos – podem ser explicados a partir do sentido e significado das experiências sociais vivenciadas por ele”, conta o aluno.

Para a participação nesses eventos acadêmicos, Mateus destaca que a formação recebida na Unimep foi bastante significativa. “No contexto atual, no qual vemos cada vez menos ingressantes em cursos de licenciatura, o que faz com que muitas universidades não prezem a qualidade de ensino e investimento em futuros profissionais da área da educação, é gratificante ver a universidade, a coordenação e corpo docente empenhados em garantir uma formação consistente, que possibilita autonomia para pesquisa e tomadas de decisões”, aponta. Além disso, ele cita o amadurecimento teórico e a reflexão sobre assuntos pertinentes na área de sua atuação dentre os resultados a serem alcançados a partir dessas experiências.

 

Texto: Angela Rodrigues
Edição: Celiana Perina
Fotos: acervo pessoal
Última atualização: 20/07/2016