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Ciência explica: sim, existe química no amor

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 15/01/2014 10h22, última modificação 26/04/2016 18h50

O título desta matéria foi citada por um dos mais importantes dramaturgos da história da literatura Willian Shakespeare (1564-1616): “A verdade é que não te amo com os meus olhos que veem em ti mil defeitos, mas com o meu coração que ama o que os olhos desprezam”. As palavras podem comover um apaixonado, mas, para a ciência, o poeta estava errado. O desejo, a paixão, o amor ou qualquer outro sentimento surge em um único lugar, que não é o coração. As sensações nascem no cérebro, por meio de reações químicas. É por isso que, sim, existe química no amor!


Foi a partir deste gancho que as alunas do 6° semestre de química-licenciatura da Unimep, Aricia de Camargo, 19; Drielly dos Santos, 26; Gabriela Polon, 22, e Luciane Barros, 35, desenvolveram o projeto “Química do Amor” para a disciplina resolução de problemas 5 e levou essa informação para dezenas de alunos dos 2º e 3º ano do ensino médio da escola pública Professora Catharina Casale Padovani, localizada no bairro Santa Terezinha, em Piracicaba. O encontro com os estudantes ocorreu numa data propícia: 12 de junho, Dia dos Namorados, período em as unimepianas cursavam o 5º semestre.


SINTOMAS 

“Todos os sintomas que envolvem o amor têm uma explicação científica: são causados por um fluxo de substâncias químicas produzidas no corpo da pessoa apaixonada”, destaca Margarete de Fátima Costa (foto acima), docente no curso de química-licenciatura da instituição e orientadora do projeto. Bem por isso, dizer que “um casal tem química” passa longe de ser apenas uma ideia figurativa. A professora explica que o sistema nervoso produz ou estimula o corpo a produzir diferentes substâncias, os neurotransmissores e hormônios, responsáveis pelas sensações vividas pelos amantes.

DESEJO 

O amor é dividido em fases. Na primeira delas, o sentimento mais forte é o desejo, quando as sensações são provocadas pelo contato visual. Neste momento, o hormônio atuante é a testosterona que aumenta o desejo sexual tanto em homens quanto em mulheres. É daí que surge o amor à primeira vista. “Pode ser que não seja duradouro, mas o amor à primeira vista também é feito de química”, aponta Margarete.

PAIXÃO 

Falta de sono e de apetite, a respiração e o coração acelerados, as mãos trêmulas e, ainda, um frio na barriga. Quem é que nunca se sentiu assim? Esses são os sintomas de um apaixonado. Nesta segunda fase, chamada paixão, há três hormônios principais: a dopamina, que produz motivação e satisfação, de forma a deixar o indivíduo até mesmo hiperativo; a norepinefrina, que produz energia em excesso e alegria; como também a serotonina, tão bem conhecido como o hormônio da felicidade e do prazer. Nesta etapa, a pessoa também se sente insegura, como se estivesse em perigo. Tanto que, a adrenalina, também se faz presente.

“Mas o corpo é inteligente. Não dá para se sentir sempre em perigo. Assim, ele transforma as sensações, de forma que a pessoa passa à terceira fase: o amor maduro. O que não significa que você não pode voltar a ter sensações da primeira fase ou segunda, com a mesma pessoa. Mesmo estando casado, você pode se apaixonar novamente pelo seu marido, por exemplo”, destaca a a aluna Luciene. A paixão pode durar de 12 a 18 meses.

AMOR MADURO 

E então, com o amor maduro, há o sentimento de companheirismo. Nesta etapa, o hormônio oxitocina é o que gera as sensações. Há segurança, ternura e sentimento de ligação com o parceiro. Tudo é mais calmo, existe paz e tranquilidade. A pessoa se envolve com seu parceiro não só pelo visual que lhe agrada, mas também pelas ações e personalidade do companheiro. Há o sentimento de querer cuidar do outro. Nesta fase, inclusive, também atua o vasopressina, hormônio conhecido por trazer a fidelidade. “Essas fases podem ser duradouras ou não. Cada um tem uma maneira de amar e esse sentimento pode se transformar com o tempo. A gente muda. Mudamos com a expectativa de trabalho, filhos, dentre outros”, explica a professora. 

Texto: Larissa Molina, especial para a Unimep
Fotos: Fábio Mendes
Coordenação/edição de texto: Celiana Perina
Última atualização: 14/01/2014

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