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Começa utilização do IPv6. Unimep é a 1ª instituição certificada

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 08/07/2014 13h20, última modificação 26/04/2016 18h51

No último dia 10 de junho, o órgão em autoridade da internet na América Latina, o Lacnic (Registro de Direcciones de Internet para América Latina y Caribe) e o NIC.br – Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil, anunciaram o fim dos endereços IPv4, ou seja, a versão quatro do protocolo IP. A sigla IP, que significa protocolo de internet, é a numeração única de todo computador ou dispositivo conectado à internet. Na prática é a identificação digital de qualquer equipamento que possibilita conexão à rede.

Os principais são smartphones, tablets, notebooks, computadores, smartTVs, roteadores sem fio, roteadores cabeados e modens, dentre outros. Para substituir o IPv4, que com 32 bits dispôs 4,5 bilhões de endereços para os usuários utilizarem a rede, surgiu a nova geração dos protocolos, o IPv6, com 128 bits e que permite o endereçamento de 340 undecilhões de equipamentos.

O professor Samuel Henrique Bucke Brito (foto), coordenador da graduação e do curso de especialização em redes de computadores da Unimep e o primeiro engenheiro de redes certificado em IPv6 no Brasil e quarto no mundo, fala que o ônus do esgotamento dos endereços IPv4 está com as operadoras de telecomunicações, que irão implementar técnicas para a transição para o IPv6. “Espera-se que os usuários não tenham impactos diretos mais graves, como ausência de conectividade, mas é possível que algumas conexões se tornem mais lentas nesta fase”, afirma ele.

Segundo Brito, os consumidores que possuem conexões IPv4 e aparelhos compatíveis não terão problemas por anos. “Atualmente, praticamente todas as conexões são IPv4 e apenas uma pequena parcela é IPv6, por isso o impacto é pequeno. No entanto, é importante ficar claro que a partir do momento em que as conexões IPv6 representarem a maioria da conectividade no Brasil, as conexões IPv4 serão desativadas. Esse processo levará anos, é difícil precisar com exatidão”, completa o professor.

Brito aponta que a internet se tornará exclusivamente IPv6 em algum momento. “Quando os usuários começarem a receber conexões IPv6, corre-se um risco muito grande de que os sistemas que ainda operam em IPv4 não sejam acessíveis para essa parcela da população. Por isso, não basta apenas as operadoras entregarem o IPv6, é fundamental que os provedores de conteúdo e empresas ofereçam seus serviços via IPv6”, destaca.

A responsabilidade técnica da transição dos protocolos ficará nas mãos dos profissionais de redes de computadores e outras áreas da computação serão diretamente afetadas, a exemplo dos profissionais de sistemas de informação.

PIONEIRISMO

Na Unimep, a primeira e até o momento a única universidade brasileira certificada pelo IPv6 Forum, entidade internacional sediada na Bélgica e responsável por disseminar a última versão do IP mundialmente, os universitários contam com a disciplina “Protocolo IPv6” na matriz curricular do curso de redes de computadores.

Os endereços IPv4 se esgotam em momentos distintos pelos sete continentes devido às características de cada região. Em 2011, o esgotamento ocorreu na Ásia e Pacífico e em 2012, na Europa. A previsão para a América do Norte, que possui mais blocos de endereços, é para 2015, enquanto na África, a região mais carente de conectividade, o fato se dará entre os anos de 2018-2020.


Texto: Angela Rodrigues
Fotos: Fábio Mendes/acervo Unimep
Edição/coordenação: Celiana Perina
Última atualização: 08/07/2014

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