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Curso internacional traz ativista de direitos humanos

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 30/08/2011 14h21, última modificação 26/04/2016 18h47

A italiana Gabriella Citroni, professora de direito internacional da Universidade de Milano-Bicocca (Milão/Itália),  esteve na Unimep para participar da 9ª edição do Curso Internacional de Direito Ambiental.  Além de docente, Gabriella também é consultora jurídica internacional da Federación Latinoamericana de Asociaciones de Familiares de Detenidos-Desaparecidos (Fedefam), e colaboradora de várias ONGs internacionais, que lutam em defesa dos direitos humanos. 

Durante o evento, ela balizou sua participação em três eixos: a diferença entre o sistema europeu dos direitos humanos e o sistema interamericano; os direitos dos povos indígenas e os mecanismos internacionais de proteção; além de fazer  uma análise dos julgamentos da corte interamericana de direitos humanos, sobre as causas relacionadas aos povos indígenas.  Em meio aos compromissos com o evento, a docente concedeu entrevista à equipe do Acontece Unimep On-line. Confira trechos da entrevista: 


Acontece Unimep – Quais são os países em que os direitos humanos são mais difíceis de serem respeitados e por quê? 

Gabriella Citroni – Infelizmente, não há nenhum país que não cometa crimes de direitos humanos. Se nos limitarmos à Europa temos a Turquia e a Rússia com os maiores problemas,  além da Itália, que é o país que mais recebe julgamentos da corte europeia de direitos humanos. Já se você considerar a América Latina e a corte interamericana de direitos humanos, os três países que mais recebem julgamentos são Colômbia, Guatemala e Peru. Estes casos estão relacionados a crimes, como massacres, torturas, desaparecimentos, execuções e extradição de pessoas.  


AU
– Como as novas mídias podem contribuir ou facilitar para que os direitos humanos sejam mais respeitados? 

Gabriella – Uma das coisas mais importantes a dizer sobre isso é que, em primeiro lugar, você tem que saber o que são direitos humanos, se você não sabe, não pode exigir. Assim, acredito que é importante que todos os tipos de mídia -  TV,  rádio e  internet - difundam a importância desses direitos. É importante que todos formem as suas próprias opiniões e também que as universidades ofereçam educação sobre os direitos humanos. Se os profissionais que estão saindo das universidades, tiverem consciência sobre os direitos humanos, vão trabalhar para protegê-los. 

AU – É possível considerar todo e qualquer conflito envolvendo a questão hídrica como uma questão de direito humano fundamental? 

Gabriella – Nos últimos anos, o Sistema de Proteção dos Direitos Humanos, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a corte interamericana têm sido chamados para pronunciarem-se sobre o direito da água como um direito fundamental. Essa é uma das questões que se levanta pelo mundo todo. Recentemente, a ONU liberou uma decisão de que o direito à água é um dos direitos fundamentais. Se não tivermos o direito de acesso à água,  não teremos o direito de acesso à vida. E o direito mais fundamental dos direitos humanos é o direito à vida. Então, há uma grande ligação entre esses assuntos. 

O 9º Curso Internacional de Direito é organizado por Paulo Affonso Leme Machado, professor e coordenador do curso de especialização em direito ambiental e professor do mestrado em direito da unimep; por Jarbas Martins Barbosa de Barros, diretor da Faculdade de Direito, e por Mirta Gladys Misailidis, docente da instituição.



Texto: Angela Rodrigues
Edição/jornalista responsável: Celiana Perina
Fotos: Fábio Mendes 
Tradução: Marcelo Leite - Assessoria para Assuntos Internacionais
Última atualização: 01/09/2011

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