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Docente e alunos de letras-inglês produzem dicionário agrícola bilíngue inédito no país

por Angela Rodrigues publicado 03/07/2020 05h00, última modificação 03/07/2020 16h48

Especialistas da área de botânica, professores e alunos de graduação e pós-graduação e profissionais interessados em plantas brasileiras e estrangeiras contam com uma produção inédita no país. É o Dicionário Bilíngue em Plantas Brasileiras e Estrangeiras, que nasceu com o projeto de doutorado da professora Fernanda Bacellar (foto abaixo, à direita), docente do curso de letras-inglês tradução e interpretação da Unimep. Online, a obra reúne todos os verbetes relacionados às plantas brasileiras, na versão em inglês.

A obra foi produzida e coordenada pela professora em parceria com 12 alunos de letras tradução interpretação, de uma estudante de engenharia de alimentos da Unimep, e de um aluno do curso de agronomia da Esalq/USP.

Os universitários definiram os termos em português, fizeram a tradução para o inglês, a transcrição fonética em português e inglês e a inserção dos termos no site; enquanto Fernanda realizou a tradução e a revisão da obra, dentre outras ações.

Com acesso público e gratuito, o dicionário é produzido pelo SIESALQ, departamento de informática da Esalq/USP. A obra, disponível somente no formato digital, pode ser consultada nesse link: https://www.esalq.usp.br/d-plant/apresentacao 


PRODUÇÃO –
A iniciativa de produção do dicionário nasceu com o doutorado de Fernanda (foto ao lado, à direita). “O Dicionário Bilíngue em Plantas Brasileiras e Estrangeiras foi tema do meu projeto de doutorado, embasado na Enciclopédia Agrícola Brasileira, realizado no período de 1998 a 2002, pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. O projeto teve a orientação da profª Drª Maria Aparecida Barbosa”, detalha ela.

Desenvolvido ao longo de 18 anos, entre 2002 e 2020, o dicionário teve distintas etapas de produção e contou com trabalhos realizados pelos alunos de letras-inglês tradução e interpretação da Unimep: Ana Sílvia Bondance; Gabriel Fernandes Gândara; Geovana Toledo; Giulia Barros Bendassoli; Jéssica Barbosa; Letícia David Santos; Luana Moro; Marcela de Luca; Marina de Souza Dias; Monique Karine Gomes; Natália Pradella e Sara Barbosa.

Bianca Bacellar Rodrigues de Godoy, aluna do curso de engenharia de alimentos da Unimep, e o estudante Otto Koch, aluno de agronomia da Esalq/USP também participaram das ações que deram origem ao dicionário.

ETAPAS – Segundo Fernanda, a 1ª etapa de produção da obra ocorreu no período de 1998 a 2002, com o embasamento teórico e a compilação dos termos das plantas com a Letra A. Nessa etapa, também ocorreram a definição e a elaboração das características específicas das plantas, tais como a origem, e as características específicas, principalmente as medicinais.

No período de 2002 a 2012, Fernanda trabalhou sozinha no projeto, com a seleção de termos das outras letras do alfabeto. “De 2013 a 2015, consegui uma bolsa da USP para a aluna Letícia David Santos, do curso de letras-inglês tradução e interpretação da Unimep, para fazer a tradução dos termos da letra B. Nos anos de 2014 a 2016, consegui bolsa PECEGE para a aluna da graduação, Luana Moro, para fazer a tradução dos termos das letras X, Y e Z e a transformação do dicionário em papel para digital”, conta Fernanda.

No período de 2016 a 2018, a docente conseguiu bolsa da USP para o unimepiano de letras tradução e interpretação, Gabriel Fernandes Gândara, para a elaboração da tradução dos termos da  letra I. No mesmo período, também com a aquisição de bolsa USP, Marcela de Luca, aluna de letras - tradução e interpretação, elaborou a tradução das letras J e L.

“Em 2017, consegui bolsa USP para o aluno  Otto Koch, do curso de agronomia da Esalq/USP, para ele fazer a tradução e inserção dos termos da  letra C; e em 2018, as alunas do curso de letras da Unimep: Geovana Toledo e Natália Pradella fizeram trabalho voluntário com a tradução das letras P e N”, afirma Fernanda.

De 2018 a 2020, Fernanda conseguiu bolsa Fealq para a aluna de letras da Unimep, Monique Karine Gomes, que pode realizar tradução e a inserção dos termos das letras M e O. Também nesse ano, as estudantes Marina de Souza Dias, Giulia Barros Bendassoli, Sara Barbosa, Ana Sílvia Bondance e Jéssica Barbosa, todas do curso de letras - tradução e interpretação da Unimep, fizeram a transcrição fonética e a inserção dos termos das letras C, D, E, F, G, H, I, J, M, P, R, T e U; enquanto a aluna Bianca Bacellar Rodrigues de Godoy, que cursa engenharia de alimentos na Unimep, inseriu os termos da letra A.

Todas as outras letras ficaram sob a responsabilidade da professora Fernanda.

Suor e trabalho são os principais elementos que a docente aponta ao longo da elaboração da obra. Dentre os desafios, ela destaca a falta de recursos para a realização da pesquisa. “As bolsas foram conseguidas com muito trabalho”, pontua.

APRENDIZADO – Graduada em letras-inglês tradução e interpretação pela Unimep em 2015, Luana Moro (imagem à esquerda), 28, foi uma das bolsistas contempladas para a elaboração do dicionário. De 2014 a 2016, ela catalogou e traduziu verbetes das letras X, Y e Z, com a tradução e pesquisa detalhada de cada planta extraída da Enciclopédia Agrícola Brasileira.

“Participar desse projeto foi uma verdadeira honra, pois a profª Fernanda é referência em tradução e, na época, eu ainda era estudante de tradução. Foi o que me deu experiência na área para que eu construísse minha carreira”, conta a aluna.

Ela acrescenta que foram muitos os desafios superados e aprendizados obtidos com o projeto. “Dentro da área de tradução, a tradução técnica é uma das mais desafiadoras e, por isso, aprendi muito no processo de tradução do dicionário junto ao time e, também, aprendi muito em relação ao trabalho em equipe”, afirma.

A intérprete afirma que, por ser complexo, o projeto contribuiu muito em sua formação. “Contribuiu no sentido de poder pôr em prática tudo aquilo que eu estava aprendendo e me abriu grandes portas para ser a profissional que sou hoje. Sou muito grata por toda a experiência e, em especial, à professora Fernanda, pela oportunidade de me desenvolver profissionalmente”, diz ela.

Luana também é mestre em linguística aplicada pela Unicamp . Atualmente, trabalha como gestora do time de tradução no PECEGE e é co-fundadora e CEO da Skylar (www.skylar.ai), startup de inteligência artificial que elabora tradução simultânea-automática via legendagem.

 





Texto:
Assessoria de Comunicação Unimep
Fotos: acervo Unimep e acervo pessoal Luana Moro
Última atualização: 24/06/2020