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Docentes debatem a essência e os resultados da Copa para o país

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 12/05/2014 12h19, última modificação 26/04/2016 18h51

Discutir sobre as várias experiências e possibilidades vivenciadas com a prática de esporte, trazendo esse diálogo para a universidade, levaram os docentes Ídico Luiz Pellegrinotti e Rozangela Verlengia, do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano (PPGCMH) da Unimep, à promoção do evento Copa do Mundo de Futebol: a Essência do Espetáculo, que ocorre na próxima quinta-feira, 15, às 8h30, no Auditório Verde, do bloco 2 do campus Taquaral da Unimep. A entrada é gratuita.

Os dois professores conversaram com a equipe do Unimep Já sobre as principais propostas do evento e os benefícios que a Copa do Mundo poderá trazer para o país. Confira os melhores trechos da entrevista:

Unimep Já – Qual é a contribuição deste debate para a sociedade e para Piracicaba?

Pellegrinotti – Podemos dizer que a universidade tem como princípio discutir todas as culturas e o esporte que, principalmente, por ser uma entidade cultural fica, às vezes, restrito aos meios de comunicação. Com toda a sociedade se envolvendo, a universidade não pode ficar à margem. Tem de trazer esse debate para que a gente possa discutir o esporte nas suas inserções pluralistas, tanto no contexto profissional quanto no contexto cultural, do lazer, das transformações sociais. Na universidade, temos grandes cientistas, enquanto o desportista tem uma identidade com a sociedade e com a comunidade onde ele convive, que é muito forte.

Rozangela – A copa é um evento muito grande, com o qual se discute muito a questão do esporte. Mas a gente tem que lembrar que o esporte é praticado no seu cotidiano, tanto nos grandes eventos, como também nos eventos menores, como os regionais e os de diferentes modalidades. E o Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano tem uma vertente muito forte neste sentido. Desenvolvemos pesquisas na área do movimento humano, pesquisas que têm uma vertente forte na questão do esporte e na prática do exercício. Então, a proposta é trazer essa contribuição, da academia junto com essa visão de um espetáculo, que é a copa do mundo.

Unimep Já – Por que falar sobre a essência do espetáculo neste debate?

Pellegrinotti –
De um evento, o que resta é a essência que esse espetáculo produziu, em qualquer campo, cultural, científico, tecnológico, ou seja, é a repercussão daquilo que foi feito. Particularmente, acredito que tudo é um espetáculo. E o esporte é muito próprio dessa característica, não tem jeito de ter um script. É aquilo que acontece naquele momento. O esportista é personagem e ator de uma realidade. Não é possível reproduzir aquele instante. Então, é a essência de um espetáculo, o que produziu, o que marcou na história de uma pessoa que esteve presente em um determinado momento tão sublime para uma nação. É sobre essa essência que queremos conversar. Porque cada um sente o espetáculo de uma forma, a euforia de uma equipe campeã é uma expressão própria, não tem jeito de reproduzir.

Rozangela – Quando a gente fala em essência do espetáculo, isso está embutida a questão da preparação física, tanto que temos dentre os convidados um ex-goleiro, então, o espetáculo é visto em uma dimensão maior, não apenas nessa dimensão do telespectador, do indivíduo que vai até o estádio. A essência é composta por todos esses elementos, desde a preparação de como está sendo preparada a infraestrutura, os times, até a execução.


Unimep Já – Quais são os resultados positivos e negativos para Piracicaba e para o Brasil com a realização da Copa do Mundo?

Pellegrinotti –  Um dos pontos positivos é ter uma união do povo para sentir o que já sente com os atletas distantes. Quanto ao ponto negativo, é que não se conseguiu inflamar a população para um momento sensível do esporte, porque o país não tinha o mesmo reflexo da grandiosidade que se precisa para ter um evento dessa natureza. Ou seja, a Fifa exigiu os seus locais como sendo de primeira categoria e um país, para promover esse evento, precisa dessa essência. Só que o Brasil mostrou deficiências, não tem um atendimento de saúde, educação e segurança do mesmo nível que precisa um país para fazer uma Copa do Mundo. Então, perante esse contraste, a sensibilidade do povo brasileiro ficou um pouco abalada.

Rozangela –
Poderia acrescentar que o governo se esforçou demais e investiu muito dinheiro para que a copa fosse realizada aqui no Brasil, com a cobrança de que se tivesse uma melhora da infraestrutura, da via aérea, enfim, nas várias infraestruturas. Então se de fato os governos conseguirem fazer esta melhora, pela proximidade da cidade com São Paulo, Piracicaba se beneficie em termos de futuras instalações de empresas e até para o próprio futebol, pois nesse período se visa fazer melhorias nos clubes do interior, que preparam os jogadores posteriormente para os grandes times. Acho que existe um empenho muito grande e a gente espera que não ocorra apenas nesse período, e que elas possam permanecer principalmente nos pequenos clubes, que preparam os atletas das categorias de base.


Texto: Angela Rodrigues
Fotos: Bob Calligaris
Edição/coordenação: Celiana Perina
Última atualização: 12/05/2014

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