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Doutor em psicolinguística e professor português destaca as contribuições da neuropsicologia para a educação

por Angela Rodrigues publicado 04/01/2017 05h00, última modificação 11/01/2017 13h42

Aproximar a neuropsicologia da área da educação é garantir o processo democrático pelo acompanhamento do desenvolvimento neuropsicológico de crianças e jovens. A afirmação é do professor português Joaquim Maria Quintino Aires, mestre em psicologia pela Universidade Clássica de Lisboa; doutor em psicolinguística pela Universidade Nova de Lisboa, psicólogo clínico, professor e que atualmente também estuda medicina. Em agosto, ele esteve no campus Taquaral, onde ministrou a palestra Neuropsicologia e Cidadania. Sobre a contribuição da neuropsicologia para a educação, ele concedeu entrevista ao Acontece Unimep. Confira:

Acontece Unimep – Como a neuropsicologia pode contribuir com a área da educação?

Prof. Quintino Aires – A neuropsicologia pode contribuir para o desenvolvimento do cérebro tal como o precisamos no século 21: ler e escrever; usar celular; encontrar trabalho e uma relação amorosa comprometida; sendo que para tudo isso não é suficiente a informação no genoma humano. A genética humana é resultado de milhões de anos de evolução, carrega as estratégias evolutivamente estáveis, mas não dá conta das exigências de personalidade e comportamento na sociedade atual. Ou seja, quando uma criança entra no sistema educativo, o seu cérebro não está ainda preparado para o que lhe vai ser pedido. É a própria vivência nesse processo que o habilita em termos neurológicos e neuropsicológicos. Por isso não é de estranhar que muitas crianças e jovens se atrapalhem e se percam em todo esse processo. Para essas, e são muitas, a educação deixa de ser o meio pelo qual podem expandir a sua capacidade de cidadania, antes se torna um obstáculo e fonte de exclusão. Aproximar a neuropsicologia à área da educação é garantir o processo democrático pelo acompanhamento do desenvolvimento neuropsicológico de cada criança e jovem (ou mesmo adulto, quando esse acompanhamento não aconteceu antes).

Acontece Unimep – Quais métodos da neuropsicologia podem ser adotados por educadores para aprimorar os processos de aprendizagem e ensino?

Prof. Quintino Aires – Os bons resultados dos primeiros trabalhos das metodologias neuropsicológicas inspiraram novas aplicações destas metodologias, que nos anos 70 se estenderam também a contextos pedagógicos. Os avanços das neurociências nos anos 90 inspiraram a aplicação adaptada de metodologias de trabalho em áreas como a atenção, concentração, aprendizagem e memória, e raciocínio abstrato e funções executivas. Sempre que se identifica algum aluno que pode beneficiar com a promoção destas funções é possível recorrer a habilitação neuropsicológica, realizadas por neuroeducador habilitado, e potenciar os recursos cerebrais para melhorar o desempenho do aluno. Por outro lado o diálogo entre neuropsicólogos e pedagogos, e em particular o desenvolvimento da disciplina chamada neuropedagogia, permite discutir e transformar metodologias de ensino/aprendizagem mais consonantes com a natureza e características do funcionamento cerebral. 

Entrevista e texto: Angela Rodrigues
Edição: Celiana Perina
Fotos: divulgação
Última atualização: 08/11/2016