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Ex-alunas viajam pela América Latina experimentando sabores e coletando receitas

por ceperina publicado 05/06/2016 09h00, última modificação 17/06/2016 16h57

Imagine largar a rotina e a segurança de um escritório e “se jogar” em uma aventura por lugares desconhecidos, com pouco dinheiro e dependendo do suporte de pessoas nunca vistas e que nem falam a sua língua. Essa foi a iniciativa de Ariane Precoma, 27, graduada em jornalismo, em 2013, pela Unimep e Tatiana Navega, 26, graduada em gastronomia, em 2008, e música, em 2012, também na Unimep. Com cerca de R$ 6 mil elas começaram o projeto Sabores Latino-americanos e decidiram percorrer diversos países latino-americanos para aprender as receitas locais e, no fim, escrever livros com as melhores receitas. Elas não pretendem gastar mais que R$ 500 em cada país.

A equipe de reportagem da Unimep conseguiu entrevistá-las para a coluna Ouro da Casa. Confira abaixo os melhores trechos e anote a deliciosa receita que elas sugerem para você. Já para conhecer melhor o projeto, acesse: www.saboreslatinoamericanos.com

Unimep - O que é o projeto Sabores Latino-americanos?

Ariane e Tatiana - Uma viagem gastronômica e de aventura em busca de receitas típicas de todos os países da América Latina, que serão documentadas em um, ou mais, livros.

Unimep - Como surgiu a ideia do projeto?

Ariane e Tatiana - Inicialmente foi uma ideia da Tati, testada por ela em 2015, na Argentina e Bolívia. Quando ela voltou viu que não podia fazer tudo sozinha e então eu entrei. A partir da nossa paixão por viajar e comer (risos), fomos estruturando o Sabores Latino-americanos. No nosso canal do Youtube temos um vídeo chamado Sabores Latino-americanos, que ilustra um pouco melhor isso que te escrevi.

 

Unimep - Quais países já visitaram, quais ainda vão visitar e como vocês viajam?

Ariane e Tatiana - Começamos a viagem pelo Uruguai, em janeiro, e agora estamos na Argentina. Ainda esse ano, passaremos pelo sul do Chile, Bolívia e Peru. Em dezembro voltamos para Piracicaba para passar as festas com nossas famílias, reestruturar todo material que coletarmos nesses meses e, assim, seguir viagem até o México. Quanto aos países, passaremos por todos da América Latina: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai, Venezuela e seus dependentes, Guiana Francesa e Porto Rico.

Viajamos de mochileiras, nos hospedando ou em casa de famílias e amigos, ou trocando trabalho por hospedagem em hostéis (tipo de acomodação que se caracteriza pelos preços convidativos e pela socialização dos hóspedes). Além de buscar por receitas, nos organizamos para "fazer dinheiro" na estrada já que saímos com pouco dinheiro.

 Unimep - Houve preocupações/medos, suas ou de suas famílias, em viajar para países desconhecidos sozinhas?

Tatiana - Na verdade, não. Desde mais nova, por escolha, eu viajo sozinha, é algo que eu gosto muito. Já os meus pais, tiveram medo com relação à segurança, mas isso não impediu que eles me apoiassem, porque, assim como eu, eles gostam muito de viajar.

Ariane - Eu acho que não é medo, mas receio do desconhecido, de falar outro idioma, principalmente. Mas, como eu já tinha viajado para fora do país, onde o idioma também era espanhol, dessa vez saí muito tranquila. E agora também estaria viajando com a Tati. Meus pais se preocuparam e sempre vão se preocupar no quesito da segurança mas, assim como os pais da Tati, nunca deixaram de me apoiar muito.

 
Unimep - Vocês se conheceram na Unimep? Como é a convivência diária entre as duas?

Ariane - Não, nos conhecemos por amigos em comum. Quanto à convivência, é incrível. Quando saí pensei que pudesse ser um pouco difícil, já que somos tão diferentes. Mas o fato de nos conhecermos há anos ajudou, porque conhecíamos nossas limitações. Aí entra o respeito, principal virtude quando se vive em duas, ou mais, pessoas. Sem contar que hoje já conhecemos até as caras e bocas, a ponto de às vezes não precisarmos nos falar, só olhar. Rimos muito com isso.

Tatiana - Como citou a Ane, o fato de sermos diferentes me assusta um pouco. Estava acostumada a viajar sozinha e tinha um pouco de receio dessa convivência. Mas a verdade é que como somos tão diferentes que acabamos nos complementando. Isso é muito bom para o projeto e para nosso dia a dia.

 

Unimep - Como foi a recepção nos países?

Tatiana e Ariane - Muito boa e diferente em cada um! Em todos fomos muito bem recebidas, mas as particularidades são incríveis. Os uruguaios são muito, mas muito receptivos mesmo! No entanto, são demais fechados. Ou seja, muito "buena onda", como dizem. Mas a intimidade chega até um ponto, diferente de nós brasileiros. Já os argentinos são também muito receptivos e mais abertos que os uruguaios, mas tem suas particularidades. Com relação à comida, eles não comem empanada de maneira nenhuma de manhã e nem comem preparações com legumes à tarde, mas saem almoçar pizza tranquilamente (risos)

Unimep - O que vocês poderiam dar de dicas para os alunos que estão na faculdade e querem fazer um projeto de sucesso como o seu?

Tatiana - Como minha mãe sempre diz, é muito importante estudar, pois nos faz ir mais longe e ajuda a nos comunicar em qualquer lugar. Mas viajar também é muito bom para poder exercer seu lado profissional de maneiras diferentes.

Ariane - O que eu posso dizer é que, para as pessoas que sonham em viajar e viver um tempo fora, seja estudando ou trabalhando, é muito possível. Basta ficar atento às possibilidades. Hoje em dia existem muitos programas de intercambio acessíveis, até mesmo pela própria Unimep. Minha 1ª experiência internacional fiz através da Unimep enquanto estudava jornalismo. No intercambio não só puder aprender coisas incríveis do curso, como outro idioma e experiências que hoje me ajudam e me encorajaram a sair, trabalhar e, depois de formada, continuar viajando. Ou seja, ter saído do Brasil antes foi fundamental para o que estou fazendo hoje.  

Unimep - Cite uma receita que foi especial para vocês

Ariane e Tatiana - Não é uma receita em específico, mas sim o contexto no qual aprendemos nossa segunda receita lá no Uruguai. Na verdade não foi uma, mas três receitas: Ceviche de Cação, Mexilhões à Provenzal e Buñuelos de Algas. Foram preparados no quintal de uma família, com todos ajudando de alguma maneira. Sem contar que, como estávamos na praia, tudo foi pescado por eles. A Tati teve o prazer de acompanhá-los e de aprender como encontrar e tirar os mexilhões das pedras em pleno mar. Foi muito especial para nós.
 

Texto: Serjey Martins
Foto: acervo pessoal
Edição e coordenação: Celiana Perina
Última atualização:17/06/2016