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Exigir políticas públicas é uma das ações para evitar crise hídrica

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 13/03/2015 12h51, última modificação 26/04/2016 18h52

Aumento das tarifas de água e energia, racionamento e possibilidade de apagão são alguns dos efeitos da atual crise hídrica no país nas grandes cidades e cenários urbanos. No entanto, tão importante quanto pensar nessas consequências para planejar ações ou exigir mudanças políticas também é saber os principais efeitos da falta de água para a natureza e ecossistema, visando evitar ou minimizar a ocorrência de danos tão ou mais graves e complexos que possam surgir dos desequilíbrios ambientais causados pela falta de água e das chuvas.

Em continuidade à série de matérias especiais relacionadas à campanha Apague o Desperdício, promovida pelo Departamento de Administração dos campi e Departamento de Comunicação e Marketing com apoio da Reitoria, a professora Sílvia Regina Gobbo Rodrigues fala sobre os principais efeitos no meio ambiente de Piracicaba e região provocado pela falta de chuvas dos últimos meses.

Vinculada à Faculdade de Ciências da Saúde (Facis), Silvia leciona na Facis e também na Faculdade de Engenharia de Arquitetura e Urbanismo (Feau) da Unimep desde 2012.

A série ainda irá apresentar outras duas entrevistas com professores e pesquisadores que falarão sobre o tema da água dentro de suas áreas de atuação e pesquisa. Confira os melhores trechos do bate-papo com a pesquisadora.

 

Acontece Unimep – Considerando o meio ambiente de Piracicaba e região como cenário, quais são os resultados da falta de chuvas?

Sílvia Regina Gobbo Rodrigues – Podem ser várias, incluindo déficit hídrico no solo, afetando a agricultura. Outra preocupação é que há uma medida de restrição da Agência Nacional de Águas (ANA) e Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) que obriga uma redução de captação de 30% para indústrias, 20% para agricultura e 20% para abastecimento urbano ao longo das bacias do PCJ (Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) se o sistema Cantareira chegar a 5% do seu volume. Se esta medida de restrição entrar em vigor podemos ter um forte impacto na economia da região.

Acontece Unimep – Quais são as esferas da natureza mais prejudicadas com a falta de chuvas?

Sílvia – A falta de chuvas e consequente baixa umidade do ar é algo que afeta todos os seres vivos. A atividade física deve inclusive ser suspensa se houver baixa umidade do ar. Mas talvez o maior problema é que Piracicaba está na região de recarga de muitos aquíferos, inclusive o do Guarani. Estes aquíferos podem ser afetados se não houver recarga e forem excessivamente explorados por poços. 

Acontece Unimep – Quais espécies de animais e plantas são as mais prejudicadas e por quê?

Sílvia – Todo o ecossistema sofre com a falta de chuvas. Porém como na nossa região os ecossistemas já vivem em stress por conta do desmatamento, a falta de chuvas pode levar algumas espécies à extinção na região (peixes e algumas espécies nativas da vegetação). No caso de plantas e animais temos que pensar também na produção agropecuária que pode ser prejudicada.

Acontece Unimep – Quais atitudes devem ser adotadas por todos para minimizar as consequências negativas da crise hídrica na natureza?

Sílvia – 1º) Organize a comunidade para retirar o lixo, replantar espécies da mata ciliar e cuidar das mudas de alguma área degradada do seu bairro. 2º) Não impermeabilize o solo, deixe a água infiltrar. Vale lembrar que casas com jardim e pomar são mais saudáveis. 3º) Usar água coletada da chuva para irrigar jardim e lavar calçadas, em vez de água tratada é outra boa medida.

Acontece Unimep – Por outro lado, quais são as principais ações cometidas pela sociedade e que podem ter contribuído para a crise hídrica?

Sílvia – Não temos o hábito de cobrar planejamento e políticas públicas dos gestores públicos e precisamos mudar. As cidades precisam ter mais áreas verdes não impermeabilizando o solo, melhorando infiltração e o microclima local. Nós também precisamos mudar hábitos, consumir menos e gerar menos lixo e aprender a não desperdiçar água em usos menos nobres como lavar calçadas.


Texto: Angela Rodrigues
Fotos: Bob Calligaris
Coordenação/edição de texto: Celiana Perina
Última atualização: 13/03/2015

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