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“O salão influenciou minha carreira”, conta Tiago Hoisel

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 24/07/2013 14h41, última modificação 26/04/2016 18h50
A equipe do Acontece Unimep bateu um papo com o ilustrador Tiago Hoisel Ferraz (foto), 28, autor do cartaz de divulgação da 21° edição do Salão Universitário de Humor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Não por acaso, ele foi especialmente homenageado durante o evento gráfico, com a exposição de seus melhores trabalhos. A homenagem ocorreu pelo fato de a carreira do ilustrador estar atrelada à trajetória do Salão: por duas vezes, ele foi premiado no evento (nos anos de 2005 e 2007) e, por três vezes, fez parte da banca de premiação.

Atualmente, Hoisel trabalha com pintura digital, em São Paulo, no estúdio de ilustração Techno Image, no qual é sócio. Sua trajetória profissional começou efetivamente em 1998, ano em que ele se encantou com o trabalho de um dos mais renomados chargistas brasileiros, Victor Henrique Woitschach, mais conhecido como Ique. No ano de 2007, concluiu o curso de desenho industrial com habilitação em programação visual pela Uneb (Universidade do Estado da Bahia), mas, segundo o ilustrador, foi o Salão Universitário de Humor da Unimep que determinou o sentido de sua caminhada no campo profissional, por conta da influência dos grandes mestres que já passaram pelo evento.

Com muitas histórias, Hoisel fala sobre carreira, trabalho e afirma: “o bom humor é a chave para se viver bem”. Confira os melhores trechos da entrevista:

Acontece Unimep - Por que escolheu a arte como profissão?
Hoisel - Não foi algo planejado ou escolhido de maneira consciente. As coisas aconteceram naturalmente. Desenhava apenas por diversão, criei um blog e fui postando os meus trabalhos. De repente, começaram a surgir as oportunidades e a busca pelas minhas ilustrações. Considero que tive muita sorte.

Acontece – O que destacaria em uma ilustração humorística de si mesmo?
Hoisel
- Na verdade, já fiz algumas. Sempre destaco as bochechas, não tem como ser diferente (risos).

Acontece - Você se considera engraçado?
Hoisel
- Não sei se sou engraçado, mas me considero bem humorado. Acredito que o bom humor é uma chave para se viver bem.

Acontece - Seu trabalho já rodou o mundo?
Hoisel
- Meu trabalho foi construído a partir de duas paixões: humor e realismo. Acredito que isso ajudou na aceitação e divulgação de minhas ilustrações, porque humor e realismo são linguagens muito populares. As pessoas se identificaram com meu trabalho e divulgaram espontaneamente, o que acabou abrindo portas em diversas partes do mundo. Daí surgiram convites para entrevistas e trabalhos em muitos países.

Acontece - O que te inspirou para produzir o cartaz do Salão Universitário de Humor da Unimep?
Hoisel
- Nem sei definir bem de onde veio a inspiração. Tive algumas ideias e fui rabiscando em busca de algo que funcionasse visualmente como um cartaz, até que surgiu a ideia de trabalhar com a paródia do palhaço com o soldado. A ideia geral era mostrar o valor da arte e do bom humor como armas transformadoras e pacificadoras da sociedade. Esses valores têm o potencial de elevar a moral e o bem estar do ser humano. Um detalhe discreto na ilustração é que os soldados estão descendo enquanto o palhaço está subindo.

Acontece – Como o Salão Universitário de Humor está ligado à sua trajetória?
Hoisel
- Conheci o Salão Universitário ainda no 1º ano de minha graduação em desenho industrial e talvez esse contato tenha influenciado mais minha carreira do que a minha própria universidade. Grandes mestres que passaram ou participaram de alguma maneira do Salão, como Dálcio Machado, Luiz Gustavo Paffaro, Flávio Rossi, Eduardo Baptistão, entre outros, me direcionaram e ensinaram mais que muitos professores que tive. Este salão foi um primeiro passo que determinou o sentido de minha caminhada profissional. Foi também o primeiro salão de humor em que tive um trabalho selecionado, o que foi um grande marco para mim.

Acontece - É possível enxergar humor em tudo?
Hoisel
- Acho que sim, tem gente para tudo no mundo (minha mãe sempre dizia isso). Coisas que são muito sérias para uns, são banais para outros. Tem muita coisa que não acho engraçada, mas tem sempre alguém fazendo uma piada a respeito.

Acontece - O que há de novidade no humor gráfico atualmente?
Hoisel
- Acredito que a internet é a novidade que transformou a realidade de trabalho da maioria dos artistas, pois expandiu o alcance dos trabalhos, aproximou os artistas e modificou a relação entre ele e as pessoas que consomem seu trabalho. Apesar de fazer humor gráfico, trabalho principalmente com publicidade e animação, diferente da maioria dos meus colegas que atuam para jornais e revistas. Na minha área, acho que o grande desafio é desenvolver e manter uma identidade no trabalho, pois, atualmente, há uma tendência à padronização dos interesses, das necessidades e dos objetivos, massificando as pessoas e criando padrões de gosto mediano.

Acontece - Quais os principais traços que um humorista gráfico deve ter em sua personalidade?
Hoisel - Não sei se tem uma fórmula ou uma regra. Mas acho muito importante ser questionador, pensar sobre a vida e sobre as coisas. Se desenvolver como pessoa para que isso se reflita no trabalho. Todos os grandes artistas que conheço são pessoas interessantes, com uma boa visão da vida.


Entrevista e texto: Larissa Molina
Fotos: Fábio Mendes
Edição de texto: Angela Rodrigues
Última atualização: 24/07/2013
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