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O uso de gírias no cotidiano do jovem é 'favorável'?

por ceperina publicado 07/06/2016 09h00, última modificação 31/05/2016 19h12

A forma como transmitimos informações pela linguagem escrita e oral não para de se transformar. Seja pela época, seja pelo suporte de comunicação, as pessoas transgridem a norma da língua para ter mais eficiência na comunicação ou simplesmente pela moda de um novo termo “cool”. “Vc”, “Kd”, “Pq”, “lacrar” são alguns exemplos. Para esclarecer se é correto utilizar a língua portuguesa fora do padrão culto, entrevistamos a coordenadora do curso de letras-língua portuguesa da Unimep, Josiane de Souza. Ela afirma a princípio: “as abreviações e gírias utilizadas na internet não podem ser consideradas como maléficas para aprendizagem e aprimoramento da escrita”.

Josiane esclarece que os diferentes suportes de escrita geram novas formas de comunicação e é necessário que as pessoas sejam capazes de se adaptar a isso: “quando estamos nos comunicando por meio da internet, é natural que se busque uma forma mais rápida de escrita, portanto o uso de abreviações e “emojis” faz parte do próprio meio. É preciso compreender que há diferentes registros e formas de comunicação e que cada um tem seu espaço próprio de utilização”.

SALA DE AULA

Em relação à utilização de gírias pelos alunos na sala de aula, ela conta que não é um problema que ocorre com frequência: “os alunos têm mais dificuldade na organização das ideias, na formulação dos enunciados, na coerência e coesão. Estes são os grandes problemas e que demandam um longo processo de aprendizagem”. Os professores, para ela, também precisam conhecer essa linguagem informal para orientar a utilização adequada ao contexto social.

A professora ressalta que, apesar da língua se adaptar, acha difícil que as gírias sejam usadas na norma padrão: “a língua é viva tanto na norma padrão quanto na coloquial, e como tal, é influenciada pelo ambiente, pelos estrangeirismos e pelas gírias. É claro que a norma padrão demora mais para se modificar, mas isto não quer dizer que ficará sempre igual. Acredito que é difícil que ela assimile os padrões da internet, uma vez que eles são adequados ao suporte e à norma culta sempre representa uma formalização maior do uso de uma língua. É difícil imaginar uma petição judicial, um contrato que usem algum dia a abreviação “vc””.

Texto: Serjey Martins
Fotos: banco de imagens
Edição: Celiana Perina
Última atualização: 07/06/2016