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Pesquisa de doutoranda une história oral e educação ambiental

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 02/09/2015 14h21, última modificação 26/04/2016 18h52

Você se lembra da 1ª escola que frequentou? Quais eram as cores do prédio, como eram as salas de aula, quem foram as suas primeiras professoras e os seus amigos nos primeiros anos de aprendizado? Essas respostas foram respondidas por sete moradores – três mulheres e quatro homens, todos acima de 60 anos – residentes no bairro rural de Ibitiruna, em Piracicaba. O material foi captado para a pesquisa de dissertação de mestrado e resultou na produção e lançamento da obra História Oral e Educação Ambiental - Recordando o Passado e Problematizando o Presente.

Assinam a obra a aluna do curso de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Unimep, Vanessa Minuzzi Bidinoto, e a professora do PPGE, Maria Guiomar Carneiro Tommasiello, a Magui.

Produzido entre agosto de 2014 e maio de 2015, o livro foi lançado no dia 1º de agosto, na própria escola objeto de estudo. É resultado da pesquisa de mestrado de Vanessa, desenvolvida sob orientação da professora Magui. Os interessados podem adquirir a obra no site da editora Appris (http://www.editoraappris.com.br/), ao valor de R$ 57.

Tudo começou em 2011, ano em que Vanessa, natural de Nova Esperança do Sul, no Rio Grande do Sul (RS), então aluna de mestrado em educação da Unimep, identificou as escolas da zona rural mais afastadas de Piracicaba. Das oito escolas municipais rurais indicadas pela Secretaria Municipal de Educação, ela escolheu a Nathalio Zanotta Sabino, localizada em Ibitiruna, bairro da zona rural de Piracicaba, localizado aproximadamente a 45 km do Centro da cidade e a 25 km do município de Anhembi. Por um semestre, Vanessa viajou cerca de 20 vezes ao bairro para realizar as entrevistas audiogravadas com os moradores da localidade rural.

MEMÓRIAS

Concluída a dissertação, a pesquisa foi reformulada e transformada em livro. “Na obra, destaco as relações dos moradores mais velhos com a escola rural e com o ambiente, resgatadas por meio das memórias deles, que contaram as suas histórias de vida. A partir das recordações e reflexões pudemos problematizar questões, no âmbito da educação ambiental. Esses moradores problematizam o presente em sua dimensão socioambiental, possibilitam uma aproximação com os mais jovens, um enraizamento da comunidade, além de apontar caminhos para a discussão e aprofundamento de temas que levem a concretização de experiências de educação ambiental positivas”, destaca Vanessa.

Ela conta que os moradores se recordam de um bairro não poluído, com muita vegetação, pássaros, animais (apesar dos caçadores), nascentes, rios, que já não existem por conta das plantações de cana-de-açúcar e eucalipto. “Eles consideram que a qualidade de vida melhorou, mas por outro lado o ambiente piorou, destacando a ocorrência de queimadas da cana, à poluição do ar e a poluição causada pelos agrotóxicos, a morte dos passarinhos, dos peixes, do sumiço das nascentes e dos ribeirões”, pontua Vanessa.

Segundo Magui, a proposta de unir história oral à educação ambiental, da maneira como o livro traz, é inédita no país. Ela afirma ainda que um dos objetivos foi o de resgatar o sentimento de pertencimento do bairro. “Há crianças que hoje se sentem diminuídas por morarem em áreas rurais. A ideia é mudar esse quadro, então, dentre os objetivos do livro também está o de recuperar a autoestima e criar sensação de pertencimento”, afirma.

 

Texto: Angela Rodrigues
Fotos: divulgação
Coordenação/edição de texto: Celiana Perina
Última atualização: 02/09/2015

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