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Professores falam sobre os perigos do control C control V

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 03/02/2012 11h06, última modificação 26/04/2016 18h48

A prática do control C control V (teclas que significam copiar e colar) facilitou a vida de muitos universitários. No entanto, a prática se configura plágio, ou seja, o ato de copiar algo atribuído a outro, de maneira indevida e sem autorização. A questão é mais profunda do que se pensa, já que envolve aspectos de ordem ética, como aponta o professor José Fernando Vidal de Souza, do curso de direito. “No Brasil há dificuldades de se enxergar o trabalho intelectual. 

Há quem acha que ele é insignificante e que não há gravidade em agir dessa maneira. O problema é de ordem cultural”, destaca. Para Josiane Maria de Souza, coordenadora do curso letras-português, o plágio é fruto da má formação no ensino, que permite a sua ocorrência sem a devida punição, orientação e instrução. “Acho muito bom trabalhar a pesquisa com os alunos desde cedo, mas tão importante quanto pesquisar também é ensinar a pesquisar”, diz. 

Para a professora é de fundamental importância refletir sobre o tema na universidade. Nesse sentido, já ocorreu na Unimep um encontro com professores e alunos para refletir a questão. Foi a mesa-redonda Conduta Ética para Redigir Trabalho Científico: A Questão do Plágio, promovida em junho.

CONSULTA 

Camila Silva Bueno (foto à esq.), aluna do 3º semestre de direito consulta a internet e utiliza as novas ferramentas da tecnologia apenas para manter-se informada. “Acho que os trabalhos acadêmicos são pessoais, a internet traz dados para divulgação, para informar, não para ser copiado”, afirma. A rede virtual também é uma das fontes de pesquisa do estudante do 5º semestre do curso de rádio, TV e internet, Leandro Silva Colobiale. Plágio como Revide “A internet permite copiar, mas de que isso adianta? Quem tem que mostrar o que sabe é você”, ressalta. 

Por outro lado, é injusto culpar as novas tecnologias, na opinião do coordenador do curso de especialização em engenharia de software, Plínio Souza Vilela (foto à dir.). “O plágio é consequência de uma educação medíocre. Os culpados somos nós mesmos. Ou você acha que quando não tínhamos computadores não havia plágio?”, questiona.

PLÁGIO COMO REVIDE

Se na atualidade o plágio é sinal de falsidade ou desonestidade acadêmica, ele já foi tido com um revide para situações de repressão impostas aos alunos por educadores, conforme conta a professora Luzia Oliveira Silva, docente da Faculdade de Ciências Humanas da Unimep. “O filósofo francês Gaston Bachelard, na obra Lautréamont, escrita em 1939, aponta que o autor do livro Préface à um Livre Futur, apresenta o plágio como um saudável exercício escolar. Naquele contexto, para o autor, o plágio tinha o sentido de contestação, um ato de rebeldia juvenil contra o professor opressor”, diz.

Texto: Angela Rodrigues
Fotos: Fábio Mendes
Coodernação/ edição: Celiana Perina
Última atualização: 03/02/2012

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