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Projeção e reconhecimento marcam trajetória do Andaime

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 23/08/2011 17h47, última modificação 26/04/2016 18h47

Ao entrar no palco para dar vida aos personagens Inhala Seca, Quim e a um dos cantadores nas reapresentações da peça “Lugar Onde o Peixe Pára”, o ator José Antonio da Silva, conhecido como Antonio Chapéu, sente a mesma energia e sensação da época de estreia da montagem, em 1996. O espetáculo é o carro-chefe do grupo de teatro Andaime, que nesse ano comemora 25 anos de criação. 

“O “Lugar” projetou o Andaime em nível nacional e internacional. É um espetáculo, que após 15 anos, encenamos com a mesma energia. É algo indescritível”, destaca ele, que foi um dos fundadores do grupo, juntamente com o ator Carlos Jerônimo. A trajetória da trupe é tema de encontro no próximo dia 25, com o lançamento do vídeo Andaime na Estrada (25 anos do grupo Andaime), a partir das 20h, no Ponto de Cultura Garapa (rua Dom Pedro 2º, 1.313, bairro Alto). 

A celebração inclui também a apresentação no próximo dia 26, da montagem “As Patacoadas de Cornélio Pires”, às 20h30, no Teatro Municipal de Piracicaba Dr. Losso Netto e no dia 28, de “A Noiva do Defunto”, às 20h30, na Praça Estrela, em Guarulhos. Ao longo desses 25 anos,
o Andaime acumula sucessos como “Nonoberto Nonemorto” (2000), “A Noiva do Defunto” (2006) e “As Patacoadas de Cornélio Pires” (2008), entre outros. 


ANDAIME EM NÚMEROS

Traduzido em números são 11 peças, mais de 300 apresentações em 100 cidades brasileiras de seis Estados, além de encenações na Itália e nos Estados Unidos. Em relação às premiações, conquistou 118 prêmios em festivais nacionais de teatro e 15 prêmios de melhor espetáculo. 

Às voltas com atividades previstas ao longo do ano para comemorar o aniversário de criação do grupo, Chapéu, que também é diretor e atual coordenador da área de teatro do Núcleo Universitário de Cultura (NUC) da Unimep, aponta que dentre as principais conquistas está a de reconhecimento da crítica e do público. Ele também destaca que somente pelo fato de o Andaime ter algumas de suas peças transformadas em objetos de estudo, teses e material de pesquisa, se considera satisfeito.

“Ao terminar a faculdade, ao invés de prosseguir com o mestrado, preferi me dedicar totalmente ao trabalho artístico e de criação, que é de 24 horas. Naquela época, a opção foi ao invés de estudar outros criadores, fazer o possível para que um dia o trabalho no Andaime servisse de objeto de estudo para alguém. E isso aconteceu: o Nonoberto foi tema de estudo para uma tese de mestrado, e há dois anos, universitários da USP, pesquisaram sobre a peça “Lugar onde o Peixe Para”, numa disciplina de pós-graduação. Então, esse sonho foi concretizado, e eu não esperava que acontecesse tão rápido”, conta Chapéu. 


MEMÓRIA 

São muitas as histórias de bastidores dos 25 anos do Andaime. O ator relembra episódios engraçados, como o ocorrido em uma apresentação da peça “As Desgraças de uma Criança”, em Rio das Pedras. Ele conta que o grupo levava o material no bagageiro de um veículo brasília, amarrado na parte de cima do carro. “Quando percebemos, os objetos estavam na estrada. Tivemos de parar, recolher as coisas e amarrar de novo. O cenário ficou mais enxuto”, lembra. Nas memórias de Chapéu também está a de um encontro que não aconteceu: dele com Fernando Peixoto, diretor e ator, reconhecido pela aproximação nas artes cênicas do universo do dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898-1956).
 
“Apresentamos “Nonoberto”, em Blumenau, num festival, em um sábado, e ele estava na plateia. Na segunda-feira, íamos fazer uma leitura do “Lugar onde o Peixe Pára”, em São Paulo. Ele viu o espetáculo, em Blumenau, no sábado, e na segunda, viajou até SP para participar da leitura. Imagine, alguém próximo aos 80 anos, viajar até outro Estado para assistir a leitura porque tinha gostado muito do espetáculo. Foi fantástico! E eu não estava lá porque fui internado, com início de pneumonia. Foi a única vez nesses 25 anos em que faltei de uma atividade do Andaime”, relembra.

GRATIDÃO

A primeira montagem do Andaime foi “O Diabo e o Homem à Brasileira” (1986), de Paulo Campos, com a direção de Benê de Oliveira. Dela, participou o ator Romualdo Sarcedo, que permaneceu um ano no Andaime, mas recorda a força do trabalho do grupo. Para ele, a experiência de participar do Andaime se resume na palavra gratidão. “Gratidão com o teatro, uma porta que se abriu para que pudesse me encontrar como ser atuante e crítico. É um caminho que a arte possibilita de se manifestar perante a vida, perante o mundo”, observa Sarcedo.

A experiência e o aprendizado são visíveis também aos que fazem parte da história recente do grupo. Um exemplo é Tiago de Luca, que trabalha na equipe técnica do espetáculo “As Patacoadas” e se prepara para integrar o elenco da nova montagem, ainda em fase de pesquisa. “Além dos estudos, que são profundos, o Andaime tem uma relação muito especial com o lugar, com a cultura popular. Tem sido uma experiência muito rica”, afirma. 

A aproximação com a comunidade também fortalece a presença do Andaime no universo acadêmico. “As iniciativas culturais constituem-se em uma contribuição da universidade com a cidadania e a responsabilidade social. Com o Andaime, a Unimep está presente nos espaços culturais e educativos, estimulando o lazer e o lúdico, mas também a reflexão”, aponta Joceli Lazier, coordenadora do Centro Cultural Martha Watts e do Núcleo Universitário de Cultura da instituição.


Reportagem: Angela Rodrigues 
Fotos: Fábio Mendes
Edição: Celiana Perina
Última atualização: 30/08/2011

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