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Reflexões: por uma arquitetura com mais terra

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 02/06/2015 09h55, última modificação 26/04/2016 18h52

Formados pela Escola de Grenoble – CRATerre (Centro Internacional de Arquitetura de Terra), a docente nascida no noroeste da França, Anaïs Guéguen (foto ao lado), e o marido, o também professor Thiago Ferreira (foto a baixo), natural do Rio de Janeiro, acreditam que a formação acadêmica e científica, a capacitação para a formação de mão de obra e a sensibilização perante à sociedade contribuem para que a arquitetura de terra (técnica que consiste na utilização de elementos como taipa, adobe e terra de pilão), recupere e fortaleça cada vez mais o espaço perdido ao longo do tempo para outras técnicas de construção, com estrutura de madeira, aço ou concreto.

Nos dias 19 e 21 de maio, eles coordenaram e ministraram o curso prático Revestimentos Decorativos para Paredes de Terra, para os alunos de distintos semestre do curso de arquitetura e urbanismo da Unimep. No curso, eles ensinaram aos alunos como escolher a terra, misturar, modificar e também incluir outros elementos como areia, fibra ou estabilizantes para revestimentos. “Eles puderam experimentar na prática esses conhecimentos. Mostramos aos alunos como achar o traço certo para cada tipo de terra para o revestimento. É a qualidade da terra que vai determinar qual técnica pode ser usada para revestimento”, afirma ela.

Ferreira acrescenta que a técnica com terra é bastante viável, além de corresponder positivamente necessidades econômicas e de sustentabilidade. “A mudança de mentalidade ocorre a partir da formação acadêmica e científica mesmo. Alunos de arquitetura e urbanismo são os futuros profissionais que irão atuar na área e devem conhecer todas as possibilidades. Além disso, pode ser fortalecida por meio de capacitação para mão de obra e com a sensibilização da população sobre os benefícios da arquitetura de terra”, afirma ele.

O docente também destaca a importância de esclarecer mitos, já que a técnica difere do projeto. “Alguns podem dizer que esse tipo de construção pode gerar problemas, mas uma coisa é a técnica e outra é o projeto. Os projetos têm de entender a técnica, para que não ocorram problemas na construção e nem depois. Pau a pique é uma técnica milenar, e a gente sabe que algumas regiões do Brasil há o inseto barbeiro, transmissor da doença de Chagas. Por esse e outros motivos, todo projeto deve ser bem executado. Se for e estiver em plena conformidade com a técnica, não haverá risco nenhum”, conta ele.

REVESTIMENTO

Anaïs conta que o revestimento com terra é usado há séculos, mas foi sendo esquecido por conta do surgimento de outros materiais como gesso, por exemplo. “Na arquitetura francesa tradicional, o revestimento com terra é muito usado tanto no meio rural quanto nas cidades e principalmente está presente nos centros históricos”, destaca. Além de benefícios como conforto térmico e de não contar com nenhum elemento tóxico, as técnicas com terra mostram riqueza de possibilidades, pois os tipos de terra podem ser remodelados ou reinventados para o revestimento.

“A técnica permite que as pessoas se expressem, criem novas possibilidades; é um material que dá muita liberdade de criar. Além disso, a estética é interessante porque a terra possui vários tons naturais, sem serem agressivos”, afirma.

O oferecimento do curso aos alunos é resultado de parceria da Unimep, por meio da Faculdade de Engenharia de Arquitetura e Urbanismo (Feau), com a Cátedra Unesco de Arquitetura de Terra e Desenvolvimento Sustentável.


Texto: Angela Rodrigues
Fotos: Ivan Moretti
Coordenação/edição de texto: Celiana Perina
Última atualização: 02/06/2015

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