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Unimepiana de letras português fala sobre a 'profissão professor'

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 06/11/2015 08h06, última modificação 26/04/2016 15h53

“E haí, xefe? Voçé é emconparável! Felis Anirvesário, contenue a cer eçe homen que você é por muinto e muintos ano”. Conseguiu ler a frase que abre esse texto? Caso sim, provavelmente deve ter se chocado com os erros que constam no início dessa matéria. Agora, imagine a responsabilidade de um professor de letras – língua portuguesa, ao se deparar com o desafio diário de formar pessoas capazes de empregar corretamente a língua materna e a linguagem nas mais variadas esferas da vida, sobretudo em um país que carece de profissionais especializados.

No entanto, há docentes que se diferenciam nessa área simplesmente pelo fato de serem apaixonados pela profissão e conseguirem driblar, com criatividade, desafios como o de envolver alunos, cada vez mais, em práticas letradas, e articular essas práticas à tecnologia, que pode ser aliada nesse processo. Uma dessas profissionais é Ligiane Cristina Segredo Castro, piracicabana, formada em letras-língua portuguesa, no ano de 2007, e atualmente docente da graduação na Unimep.

A vocação de Ligiane surgiu antes de ingressar na universidade. Ela cursou magistério entre os anos de 1997 e 2000, e começou a lecionar em escolas estaduais de Charqueada, cidade em que residia. Depois, cursou letras – português na Unimep e emendou a graduação à especialização em língua portuguesa na PUC- São Paulo. Ela concluiu o curso em 2008 e em fevereiro do ano seguinte, começou a ministrar a disciplina leitura e produção de texto na universidade, como professora emergencial. No mesmo ano, iniciou o mestrado em língua portuguesa na PUC-SP. Em 2012, já mestre, Ligiane participou do processo de seleção para o curso de letras – língua portuguesa. “Fui aprovada no concurso e contratada para compor o quadro de docentes da graduação pela qual tenho profunda admiração. É muito marcante ser, agora, colega de trabalho das minhas professoras”, afirma ela, que além de atuar na Unimep, é professora e coordenadora de português dos colégios Anglo Cidade Alta e Portal do Engenho, em Piracicaba.

Ligiane sabe bem os desafios que a esperam diariamente, mas não se deixa desanimar perante os discursos pessimistas acerca do ato de ensinar. Ela é a entrevistada da série Ouro da Casa, que apresenta a trajetória de sucesso de profissionais graduados pela universidade, em todas as áreas do conhecimento. Confira os melhores trechos da entrevista:

Acontece Unimep – Por que escolheu estudar na Unimep?

Ligiane – Escolhi a Unimep por ser uma universidade conceituada, por ter bons professores, ótima estrutura, por possibilitar o ensino, a pesquisa e a extensão, por ser próxima da cidade em que residia (Charqueada) e por ter o melhor curso de letras da região, que, depois, se revelou como um dos 10 mais conceituados do Brasil.  

Acontece – Pode contar um momento marcante da sua trajetória profissional?

Ligiane – Acredito que o momento marcante da minha trajetória profissional seja, justamente, a minha entrada como professora no curso de letras-português da Unimep, que tive o prazer de conhecer como aluna e agora como professora. Sinto muito orgulho disso, pois é outro olhar.

Acontece – Quais são os principais desafios no campo profissional?

Ligiane – O desafio é envolver nossos alunos, cada vez mais, em práticas letradas, fazendo com que a leitura e a escrita sejam consideradas por meio de seus usos, funções e valores sociais. Os alunos precisam ler e escrever mais e melhor. Precisam ter a consciência de que ensinamos a ler e a escrever nas instituições de ensino porque é fundamental fora delas, na sociedade. Outro desafio é articular essas práticas à tecnologia. Nosso aluno não é mais o mesmo de anos atrás. É preciso repensar, reformular, recriar práticas que tenham a tecnologia como aliada. E isso é constante.

Acontece – Como analisa o atual mercado de trabalho para os profissionais de letras – português?

Ligiane – Acredito que o mercado para esses profissionais está aquecido. A oferta de empregos é grande. Nós estamos vivendo já há um tempo a crise das licenciaturas, já que poucos desejam ser professores. Há muito mais vagas do que profissionais capacitados para preenchê-las. Aquele que opta por cursar letras-português tem a possibilidade de lecionar em escolas, ministrar aulas particulares, atuar como revisor e/ou corretor de textos, enfim, abre-se um leque de possibilidades.

Acontece – Pode citar dicas para os profissionais prestes a entrar no mercado de trabalho?

Ligiane – 1º) Resgatar os conteúdos trabalhados na universidade, nos cursos de formação, e fazer uma transposição didática, articulando teoria e prática. 2º) Ser leitor, sempre, para ser capaz de formar leitores. Ser produtor de textos para ser capaz de ensinar seus alunos a escreverem. 3º) Não se contaminar com os discursos pessimistas acerca do ato de ensinar. 4º) Continuar estudando, especializando-se. A formação continuada é fundamental para todos os profissionais, principalmente para o professor que é mediador do conhecimento.

Acontece – O que sente ao lecionar na instituição em que se graduou? Como é estar do outro lado?

Ligiane – Sinto muito orgulho de fazer parte de um dos melhores cursos de letras do país. Nosso curso é o 10º melhor do Brasil. Estar do outro lado possibilita uma reflexão sobre a sólida formação que recebi e que, naquele momento, não tinha plena consciência.

Acontece – Do que mais sente saudades do período como universitária?

Ligiane – Sinto saudades de frequentar as aulas de literatura e apreciar um texto literário. Optei pelo curso, a princípio, por causa da literatura, mas depois fui me apaixonando pela linguística também e acabei me especializando nessa área. As mediações de leitura que o curso promove aliviam bastante o meu saudosismo.


Acontece – Profissionalmente, quais são os planos para o futuro?

Ligiane – Quero oferecer cursos de formação continuada para professores e de extensão para outras áreas do saber. Em outras palavras, admiro a proposta de ensino de português para fins específicos, justamente porque busca, por meio de uma análise de necessidades, sanar problemas, que envolvem práticas de linguagem, como o próprio nome já diz, de um grupo específico.

Texto: Angela Rodrigues
Fotos: Bob Calligaris
Edição e Coordenação: Celiana Perina
Última atualização:  06/11/2015

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