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Universitários contam experiências vividas no Iraque

por Universidade Metodista de Piracicaba — publicado 03/05/2012 11h40, última modificação 26/04/2016 18h48

Ao regressarem ao Brasil, os irmãos gêmeos Ahmad Salahaldin e Nawar Salahaldin, de 25 anos, que até 2008, residiam na capital iraquiana Bagdá, surpreenderam-se com a liberdade, a beleza e a organização do país. “Democracia é uma coisa espetacular e que a gente não teve oportunidade de conhecer”, destaca Nawar.  “Aqui, você pode falar o que você quiser, a hora em que você quiser, e não é preso ou morto. Em Bagdá, depois das 19h30, não é liberado sair de casa. Se a gente sai na rua, corre o risco de morrer”, conta Ahmad. 

Estudantes do 1º semestre de odontologia, eles são os primeiros universitários do Iraque país a ingressar na instituição. Apesar de terem sido criados naquele país, eles nasceram no Brasil, mas partiram com a família com apenas um mês de vida. Lá, residiram com os pais e outros seis irmãos, até 2008, quando retornaram, após sofrerem um atentado, e a pedido do pai, que não queria vê-los envolvidos nas guerras e conflitos da região. Residentes em Promissão, cidade vizinha a Lins e na qual trabalham, eles destacam que se adaptarem bem. 

Ambos enfrentaram situações dramáticas no Iraque. Ahmad conta que sempre ao sair de casa para ir à faculdade, já dizia adeus à família, porque não sabia se iria voltar. No Iraque, Ahmad cursou dois anos de farmácia e Nawar, dois anos de medicina. Dentre os episódios mais tensos, está o ocorrido em um dia em que iam à faculdade. “Saímos às 7h30. Chegamos na esquina, quando vimos um tiroteio. Acharam que a gente também estava atirando e começaram o abrir-fogo. É uma sensação única, quando você escuta o som da bala, passando perto de você. Meu irmão falou: Levei tiro e eu respondi: eu também levei tiro (risos), vamos correr. Foi muito tenso”, conta Nawar. 

BELEZA

A beleza natural do Brasil foi um dos elementos que também surpreenderam os irmãos Salahaldin. “O país é muito bonito, mais do que eles mostravam lá. Sempre que viajamos por motivos de trabalho, a gente aproveita para visitar as cidades vizinhas. Aqui a natureza é bonita demais”, destaca Ahmad. A principal dificuldade que os irmãos enfrentam atualmente é com o idioma. Mesmo com o sotaque, eles falam bem o português e até utilizam gírias como “pagar mico”. 

A dificuldade, segundo contam, ocorre com a leitura e a escrita, dificuldade que com a ajuda dos professores, vem sendo superada. Também sentem a falta de uma mesquita para rezar, já que a mais próxima está localizada em São Paulo. 

Em relação às brincadeiras feitas por colegas e amigos pelo fato de virem do Iraque, eles contam que levam na brincadeira. “No começo, até ficava meio chateado, mas depois que vi a mídia divulgando muita coisa errada sobre o Iraque. Infelizmente, é assim que os iraquianos são mostrados”,  ressaltam os irmãos. 

Nawar fala que durante uma conversa, também ficou surpreso com o desconhecimento sobre o país. “Uma pessoa perguntou: lá no Iraque tem prédio? Mas claro que tem. Lá tem tudo! Mas esse lado melhor não é mostrado na mídia, sempre se vê a mesma coisa, guerra, prédios destruídos, deserto”, conta  ele. 

Dentre os planos dos jovens, está o de concluir o curso, abrir uma clínica e permanecer no Brasil. Ahmad quer conhecer o Rio de Janeiro e visitar o Cristo Redentor; enquanto seu irmão Nawar, deseja conhecer o estádio do Corinthians.


Texto:
Angela Rodrigues
Fotos:  Fábio Mendes
Coordenação/jornalista responsável: Celiana Perina
Última atualização: 03/05/2012

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