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Páscoa Judaica e Páscoa Cristã - Duas Ceias

por Jéssica Rodrigues dos Santos publicado 29/03/2018 22h42, última modificação 08/04/2019 15h49

 

Para os judeus, a páscoa também é a festa mais importante do ano e há a reunião de parentes e amigos. “Devemos ensinar aos nossos filhos e netos que ser um homem livre implica em responsabilidades de ser humildade e levar a liberdade aos outros que não tem”, destacou o rabino.

Relato bíblico sobre a última páscoa e a instituição da Santa Ceia

Durante vários séculos, a páscoa judaica viera apontando para o sacrifício de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus (João 1.29). Todavia, chegara o tempo do Senhor Jesus, celebrar a Última Páscoa, juntamente com os seus apóstolos. Este era o momento que Jesus tanto esperava (Luc 22.15). Foi na noite que precedeu a Sua morte, que Jesus e os Seus discípulos comeram a Última Páscoa, substituiu pela Sua Ceia e, depois, foi morto como o Cordeiro Pascal (Mat 26.17-29; Marc 14.12-26; Luc 22.7-20; João 13 e 14). Portanto, houve duas ceias; a Ceia da Páscoa e a Ceia do Senhor Jesus. Esta foi instituída no final daquela. Lucas menciona dois cálices (Luc 22.17-20); Mateus, Marcos e Lucas mencionam ambas as ceias, João somente cita a Páscoa.

A instituição da Santa Ceia, é relatada por dois apóstolos que foram testemunhas oculares e participantes dela, a saber; Mateus e João. Marcos e Lucas, embora não estivessem presentes na ocasião, suprem alguns pormenores. O apóstolo Paulo, ao dar instruções aos coríntios, fornece esclarecimento sobre algumas de suas particularidades (1 Cor 11.17-34). Tais fontes nos dizem que, na noite antes da Sua morte, Jesus se reuniu com os Seus doze apóstolos em um cenáculo mobiliado para celebrar a Última Páscoa (Mat 26.17-29 e ref.). Com o desejo de cumprir toda a justiça e honrar a lei cerimonial, que ainda durava, Jesus ordenou tudo o que era necessário para comer a Última refeição pascal com os Seus discípulos. Tudo foi feito como Jesus ordenara, e prepararam a Páscoa (Mat 26.17-19). «E, chegada a tarde, assentou-se à mesa com o doze» (vs.20). O evangelista Lucas relata que Jesus desejava ansiosamente comer a Última Páscoa com os Seus discípulos. «E disse-lhes: tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento» (Luc 22.15).

Jesus tomou os elementos da Páscoa e deu uma nova significação. Mateus relata: «Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice e dando graças deu-lho dizendo; bebei dele todos. Porque isto é o meu sangue do Novo Pacto, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não bebereis deste fruto da vide até àquele dia em que beba de novo convosco no reino de meu Pai. E tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras» (Mat 26.26-30). A Páscoa judaica encontra seu comprimento e seu fim na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A Páscoa no A.T. e a Ceia do Senhor Jesus no N.T., ambas apontam para uma mesma coisa; o Sacrifício de Jesus Cristo! A primeira estava distante da outra por quase quinze séculos, e tinha um caráter prospectivo; apontava para a Cruz de Jesus Cristo; a segunda, a Ceia do Senhor Jesus, também chamada de Santa Ceia, têm um caráter retrospectivo; apontando também à morte de Jesus Cristo.

A Ceia do Senhor Jesus inicia uma nova era e aponta para uma obra já consumada. Podemos observar que, «duas festas uniram-se nesta celebração». No cenáculo deu-se um acontecimento notável: A Festa Pascal foi solenemente encerrada (Luc 22.16-18), e a Ceia do Senhor Jesus instituída com uma solenidade ainda mais sublime do que a Páscoa (Luc 22.19-21; 1 Cor 5.7). Portanto, naquela ocasião terminou um período e começou outro; Cristo era o cumprimento de uma ordenança e a consumação da outra. A Páscoa agora tinha servido seu propósito profético, porque o Cordeiro que o sacrifício simbolizava, ia ser morto naquele dia. Por isso foi substituída por uma «nova instituição», apresentando a verdadeira realidade do Cristianismo, como a Páscoa tinha apresentado a do Judaísmo.

 

Revda Márcia Célia Pereira
Pastoral IEP